A Dragões da Real foi a terceira escola a cruzar a passarela do samba na madrugada deste sábado (14), trazendo uma explosão de cores, técnica e, acima de tudo, um manifesto político e social. Com o enredo “Guerreiras Icamiabas – Uma lendária história de força e resistência”, a agremiação da Vila Anastácio reafirmou sua posição como uma das gigantes do Carnaval paulistano, unindo a suntuosidade visual à urgência do debate ambiental.
O carnavalesco Jorge Freitas, conhecido por seu rigor plástico, não decepcionou. A escola narrou a saga das Icamiabas — mulheres guerreiras que, segundo a lenda, habitavam a região do Rio Amazonas e viviam sem a presença de homens. O desfile foi estruturado para mostrar que essa resistência ancestral se reflete nas mulheres que, hoje, dão a vida pela sobrevivência das matas.
A Comissão de Frente: Representou o “despertar das guardiãs”, com movimentos coreografados por Ricardo Negreiros que simulavam rituais de proteção à terra. Com alegorias monumentais, onde os carros impressionaram pelo volume e acabamento, misturando materiais rústicos, como palha e penas sintéticas, com o luxo característico da escola. O abre-alas trouxe uma representação imponente da floresta viva. A bateria “Ritmo que Incendeia”, do Mestre Klemen Gioz trouxe bossas que incorporaram sonoridades indígenas, incluindo o uso de flautas com timbres nativos, criando uma atmosfera imersiva para o público.
“O Carnaval deixou de ser apenas um cortejo de beleza e passou a ser um manifesto de luta. Viemos para a avenida para dar voz a quem protege o coração do Brasil”, afirmou Jorge Freitas minutos antes do início do desfile.
A comunidade da Dragões, conhecida pela animação constante, manteve o canto forte do início ao fim. O intérprete Renê Sobral conduziu o samba-enredo com maestria, garantindo que o público nas arquibancadas acompanhasse o refrão que exalta a “força da lança” e a “esperança renovada”.
A escola encerrou sua participação dentro do tempo regulamentar, sem enfrentar problemas técnicos nas alegorias, o que a coloca diretamente na disputa pelas primeiras posições da tabela. Com um desfile tecnicamente impecável e visualmente impactante, a Dragões da Real sai do Anhembi com o grito de “campeã” ecoando entre seus componentes.